quinta-feira, 17 de janeiro de 2008

Violência, cinema e a curiosidade mórbida

Uma pesquisa realizada recentemente por dois economistas (Gordon Dahl, da Universidade de San Diego, e Stefano Della Vigna, da Universidade de Berkeley, California) defende a tese de que filmes violentos diminuem a criminalidade. Os filmes afastariam uma categoria de delinqüentes da criminalidade, levando-os ao cinema.

A matéria chamou minha atenção...
Mas não seria o contrário? Não seria o velho ciclo vicioso da violência? Filmes violentos geram pessoas violentas, que geram violência, que geram mais filmes violentos... Isso já não estava atestado?

Sou obrigado a defender o que comentei agora pouco no penúltimo post da Graziella. É a velha questão do livre arbítrio. Muitos dos meus cresceram assistindo filmes violentos e nem por isso tornaram-se violentos. Por outro lado, quem deixa-se levar pela tênue linha entre realidade e ficção, traz um pouco disso pra sua vida.

Se pararmos pra pensar, somos expostos à violência desde crianças... O que era, por exemplo, a bruxa de João e Maria, senão um Hannibal Lecter de saias? O objetivo da velhinha cega e má era transformar Maria em empregada e, ao mesmo tempo, comer Joãozinho, no sentido oposto ao "comer" que levaria Michael Jackson a procurar o garoto Todos aqueles contos tinham um final feliz, um triunfo da bondade, mas não deixavam de expor as crianças ao óbvio: a maldade existe. Está aí, muitas vezes de forma agressiva.

A mensagem maior que podemos tirar dessas histórias é a de que não adianta tapar o Sol com a peneira. Melhor preparar as crianças para o mundo. Ao passo que, para os adultos, também não adianta fazer apenas filmes de romance e humor, porque todos temos nuances diferentes e queremos sentir sensações diferentes.

Mas será que devemos sair do oito e ir pro oitenta?

Voltamos um pouco também ao que a Graziella abordou: a natureza humana. A maioria das pessoas, por mais que não seja naturalmente violenta ou má, tem uma propensão pela curiosidade mórbida. Comprovei isso no caso do ônibus 174. Muito se falou da formação do criminoso que seqüestrou o ônibus, sobre a falta de estrutura social que levava à construção de figuras "monstruosas" como aquela, mas o mais chocante a meu ver ficou à margem: a presença da mídia no evento e a curiosidade das milhares de pessoas que viram as cenas do seqüestro de suas casas, prevendo a fatalidade, mas congeladas a frente da televisão. Trocar de canal não era possibilidade pra muitos... E trocar de canal não significava indiferença naquele momento, porque ninguém ficou indiferente. Era impossível. Trocar de canal, por medo do que poderia acontecer, era justamente o "fechar os olhos" dos personagens de filmes de ação que se vêem diante de uma situação violenta, sem querer estar ali.

Mas é assim a natureza humana: curiosa, mesmo que diante do sofrimento. E aí entram os filmes violentos...

Depois de refletir sobre a pesquisa, cheguei à conclusão: que falta do que fazer... É meio óbvio que a violência diminua em dias de lançamento de filmes de ação pelos motivos que deram.. Delinqüentes também vão ao cinema... E se seguirmos o raciocínio usado pelos pesquisadores de que filme de violência é bom para a sociedade, o ideal seria incentivar a delinqüência fazendo mais filmes de ação, garantindo que tenhamos 365 lançamentos, um para cada dia, para manter violentos e criminosos ocupados e longe do convívio com a sociedade. Nada mais idiota...

Filmes violentos mantêm nossa curiosidade mórbida entretida. Mas acredito que essa curiosidade não deva ser mais estimulada... Os Rambos de antigamente eram considerados os filmes mais violentos, mas, mesmo assim, o personagem não explodia cabeças com tamanha desenvoltura e frieza, em cena tão explícita quanto a da versão que vem por aí... (Isso porque Rambo é o grande herói do filme.) É a evolução da violência.

Mostremos as bruxas canibais, sem deixar de mostrar que elas estão erradas e que o certo é não ser como elas. Mais vale usarmos o cérebro do que as armas. (apesar do quê, João e Maria usaram o cérebro mas também jogaram a velha no caldeirão... sem piedade.) E mais vale que os economistas deixem pesquisas de criminalidade para quem possa fazer análises mais satisafatórias.

Fui procurar uma imagem de João e Maria e encontrei essa... Maria João. Preferi colocá-la. A meu ver, bem mais satisfatória. hehe (Plebéias, depois do festival de cueca que teve aqui, vocês não podem reclamar...)

2 comentários:

Hugo disse...

Alanzito,

acho lindo seu olhar sobre o mundo e sobre as pessoas que vivem nele... por isso acho vc um mestre das relações interpessoais !!

podia se especializar nisso!!

um abço

Anônimo disse...

cara a menina ai é tudo de bom AI PAPAI EU COISA LINDA VEN SER MINHAVEN